Organizando a paleta de pintura

Organização da paleta de pintura.

Imagine mover seus pincéis sobre a paleta de pintura sem nem ao menos olhar pra ela, com velocidade e destreza ao executar suas misturas com o pincel... Isso pode ocorrer! desde que você desenvolva um método de organização das tintas e conheça bem seu material.

Quando iniciamos no aprendizado da pintura a óleo, talvez fiquemos ansiosos por fórmulas ou receitas do tipo "passo a passo" que nos garantam algum resultado. Mas quando o assunto é organização da paleta, é muito provável que você desenvolva um layout próprio conforme for avançando no seu aprendizado e tenha mais "intimidade" com a técnica.

Se você ainda não sabe exatamente como organizar suas tintas na paleta, é muito útil testar abordagens que outros artistas utilizam enquanto formula suas próprias conclusões. Nesse artigo, vou mostrar como faço essa ordenação em meu trabalho, e o "por que" de tal ordem, assim como abordar a lógica por trás das cores escolhidas...Então vamos lá!

tintas, misturas e ordenação

Antes de tudo é preciso reforçar, não se trata de uma regra, e sim, de uma ordenação lógica que me facilita pintar e poderá, quem sabe, facilitar o desenvolvimento do seu próprio método. A foto abaixo demonstra minha paleta com todas as cores, e talvez em um outro post, eu exponha outras possibilidades a essa organização que utilizo.

cores pintura a óleo

A lógica é a seguinte, do lado esquerdo as cores escuras e do lado direito as cores claras, inicio com o preto e termino com o branco. Além disso, é possível visualizar uma tendencia das cores escuras serem mais frias e das cores claras serem mais quentes, ou seja, a paleta vai do escuro para o claro, assim como do frio para o quente.

Para ilustrar esse post, utilizei cores da marca Corfix. E para cada cor, procuro trabalhar com variações claras e escuras.

Preto, azuis e violeta

Preto:

Recentemente venho utilizando uma mistura de Preto (Ref: 65) com Preto de Marte (Ref: 121), mais ou menos meio a meio. Isso porque percebo que o Preto de Marte pigmento pouco, enquanto o Preto pigmenta demais, mesmo em pouca quantidade. Misturando os dois, cheguei numa formulação adequada ao meu jeito de pintar.

Azuis:

Minha paleta de azul é composta por duas cores, uma opaca e outra transparente, são elas o Azul da Prússia (Ref: 69) e o Azul Ultramar (Ref: 68).
Acredito que o Azul Ultramar seja a opção mais versátil entre os azuis disponíveis na paleta de um pintor, e associado ao Azul da Prússia, é capaz de proporcionar uma grande variedade de tons.
O Azul da Prússia é muito útil para escurecer o Ultramar, assim como o Ultramar é útil para clarear o Azul da Prússia, e os associando a outras cores, ainda é possível formar uma grande variedades de verdes, roxos e violetas.
Violeta, verdes e marrom

Violeta:

Essa cor eu adicionei recentemente a minha paleta através do Violeta Permanente (Ref: 81), e estou gostando bastante de te-la ao invés de realizar misturas como fazia antes, isso por que além da praticidade, as tonalidades que uma cor "mono-pigmentada" proporciona são mais "limpas" do que as conseguidas através da misturas com vários pigmentos.
Outra vantagem que observei com a adição dessa cor na paleta foi a riqueza de tons de cinzas quentes e neutros obtidos ao mistura-la com os amarelos.

Verdes:

Para os verdes, utilizo o Verde Esmeralda (Ref: 73), Sombra Natural (Ref: 84) e Terra Verde (Ref: 79). Um escuro, um médio e um mais claro. Caso seja necessário mais tonalidades de verdes, ainda é possível mistura-los aos amarelos para se obter tons mais claros, ou aos azuis para se obter tons mais escuros.
Como não pinto paisagens, os verdes tem duas funções muito importantes em minha paleta, uma é neutralizar os vermelhos na construção dos tons frios da pele, geralmente áreas de sombra ou com pouca "carnosidade" e outra para a construção de marrons também se associando aos vermelhos.
Marrom, vermelho

Marrom:

Para o marrom utilizo apenas uma cor, a Sombra Queimada (Ref: 83), e essa tem sido a cor mais recorrente em meu Underpainting. Também a utilizo em diversas misturas ao pintar sombras, cabelos, ou para misturar outras cores de forma mais "suja".

Vermelhos:

Minha paleta de vermelhos é composta de Alizarin Crimson (Ref: 104), Terra Siena Queimada (Ref: 63) e Vermelho de Cádmio (Ref: 129), ou seja, um escuro, um médio e uma cor um pouco mais clara.
O Alizarin Crimson é uma cor muito versátil, que além de servir para escurecer as cores vermelhas, também poderá compor uma ampla gama de roxos e violetas quando associada aos azuis, assim como criar bonitos marrons associada aos verdes. Outras cores que podem ser alternativas ao Alizarin são: Carmim (Ref: 59), Laca de Garança Rosa Antiga (Ref: 91) e Magenta (Ref: 60) 
Tanto a Terra Siena Queimada quanto o Vermelho de Cádmio são ótimas opções para criar tons de pele quando misturadas em diferentes proporções com os amarelos e o branco.
Amarelos e branco

Amarelos:

Seguindo a mesma lógica de ter uma opção mais escura, uma média e uma clara, minha paleta de amarelo é composta por Terra Siena Natural (Ref: 62), Amarelo Ocre (Ref: 53) e Amarelo Cádmio (Ref: 36)
Certamente a presença do Terra Siena Natural entre os amarelos poderia ser questionada, afinal para alguns, essa cor mais parece um marrom, no entanto, diferente do que ocorre com a maior parte das outras cores da paleta, que podem ser escurecidas ou neutralizadas com suas opostas no círculo cromático, o amarelo não é escurecido com o roxo, mas sim produz um tipo de cinza bem especifico, então minha recomendação é que ao escurecer o amarelo se utilize os marrons, sendo o Terra Siena Natural muito adequado.
O Amarelo Ocre é uma cor fundamental na construção da base para os tons de pele, se aliando aos vermelhos e ao branco, cria-se facilmente uma gama de opções para as áreas iluminadas da face, sendo essa uma das cores que mais utilizo depois do branco.
Por fim, o Amarelo de Cádmio, que é a cor que serve para clarear e adicionar saturação ao grupo dos amarelos, assim como adicionar detalhes vibrantes na composição.
Branco de titânio + Branco de Zinco

Branco:

Finalmente o Branco, a cor mais usada da paleta! Assim como ocorre com o preto, o meu branco também é composto por duas tintas, o Branco de Titânio (Ref: 102) e o Branco de Zinco (Ref: 100).
E o por que dessa mistura? Explico: O Branco de Titânio é muito opaco, já o Branco de Zinco é semi-transparente, em uma mistura de cores para tons de pele, o Branco de Zinco tende a clarear sem baixar tanto a saturação das cores como ocorre quando feito somente com o Branco de Titânio, no entanto, há estudos de conservação que apontam para problemas de durabilidade da película da pintura formada pelo Branco de Zinco, e uma mistura entre os dois parece resultar numa película mais saudável e que tira vantagens das qualidades de ambos os pigmentos, a semi-transparência do Branco de Zinco e a durabilidade do Branco de Titânio.
Ainda estou testando a proporção ideal de cada uma das tintas, mais poderia sugerir uma mistura de 50%+50% para iniciar e ir observando os resultados...

Conclusão:

Cheguei nessa ordenação das cores na paleta após testar e observar como muitos outros artistas o fazem, e sugiro que faça o mesmo para desenvolver a sua caso essa sugestão não lhe agrade. Esse layout pode ser especialmente conveniente para os iniciantes, já que cobre uma variada gama de cores que são adequadas para os mais diversos temas, desde retratos até paisagens, passando pelos abstratos ou natureza morta.
Com vários tipos de tintas, transparentes e opacas, essa paleta também privilegia os adeptos de diferentes técnicas, seja ela Direta ou Indireta (Pintura em camadas). 

Minha principal recomendação é que ao invés de ampliar essa paleta, você a reduza ao essencial conforme for progredindo, deixando tão somente as cores que mais usa, descartando as que são facilmente obtidas com misturas.

Espero que mais uma vez eu tenha conseguido ajudar os que, assim como eu, lutam diariamente para progredir nesse universo maravilhoso que é a pintura a óleo, até o próximo post!

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